Boa noite gente!
Quase onze horas da madrugada :) e eu aqui, cansadona, tentando baixar a adrenalina de lidar novamente com o AutoCad. Fatal Error depois de horas de trabalho causa a mesma dor não importa quanto tempo vc tenha passado longe... Sempre pode existir algo mais chato para se fazer na vida, traduzir projeto em plantas no AutoCad está aí para me lembrar disso. Por hoje chega.
Com o calor de matar e o friozinho do final de semana, quem acabou dando erro foi o Pedro Paulo. Tá com febre desde sexta, dor no corpo, sintomas de sinusite e dor de ouvido. Agora à noite passou a achar que a dor é em um dente lá no fundo... Amanhã é um novo dia e veremos a próxima versão dos acontecimentos. Essa noite ele vai dormir sozinho em outro quarto para fugir do ar condicionado.
Hoje me senti ainda mais peixe fora d'água por aqui. Trabalhando nos documentos para a validação do meu diploma de arquitetua, lembrei que seria uma boa reconhecer o diploma do curso de Administração também, just in case, pois ao menos um curso superior eu posso provar mais facilmente. Liguei para a universidade onde me formei, aqui em Floripa, onde sempre me senti super em casa - para vcs terem uma idéia, ao invés de escrever universidade eu estava escrevendo escola - a ESAG (Escola Superior de Administração e Gerência), com escola no nome, sempre foi um lugar pequeno e aconchegante, onde todos conhecem todos... bem, foi... Em dezembro passado completei 14 anos de formada e ao que parece as coisas pela ESAG também mudaram bastante.
Sempre fui mimada pelos professores e funcionários da escola. O Dilmo, funcionário ranzinza mais que exemplar da Secretaria, sempre soube meu nome decor. Mesmo anos depois de formada, ao ligar lá eu dizia: "Oi Dilmo, é a Graciana." E ele: "Graciana Vianna Torres!" :) Hoje, então, liguei lá para saber se seria possível eu conseguir uma cópia do meu histórico ainda essa semana para que eu pudesse traduzí-lo e pedir para a escola carimbá-lo para eu levar tudo pronto para casa onde eu enviaria ao órgão que faz o reconhecimento. Atende uma Priscila, que me diz que o Dilmo está de férias e que não, não dá para emitir um histórico em 4 dias úteis e que também não, eles não poderiam carimbar nenhum documento que não fosse emitido pela escola e que não, não teria ninguém lá para assinar o histórico para mim e que não... desliguei o telefone arrasada, acho que nunca antes eu tinha ouvido tantos nãos da escola, nem somando os cinco anos que estudei lá! Senti que tinha ficado órfã. Mais um vínculo que se foi.
Falando no que se foi, tenho que falar sobre os comentários do último post. Achei engraçadas algumas observações. Primeiro quero dizer que esse blog tem algumas funções para mim. A primeira delas é servir de terapia. Para mim funciona como uma catarse, escrevendo eu exteriorizo pensamentos e isso me ajuda a organizá-los, por isso escrevo. Por exemplo, agora, quando terminei de escrever sobre a ESAG me dei conta de que uma frase que a menina falou foi a que mais me incomodou: "Vc se formou há muito tempo, suas informações não são de fácil acesso." Saber que faz muito tempo eu sei, para mim soou como cai fora ô dona, vc não faz mais parte da tchurma! Acho que amanhã pela manhã já conseguirei rir disso.
Bem, a segunda função é servir de registro dos acontecimentos para mim mesma, e agora para meu filho. Não fiz para ele aquele livrinho onde o povo da minha geração tem um cachinho de cabelo guardado dentro de um envelopinho para lembrar o primeiro corte de cabelo. Até vi umas opções em algumas livrarias mas não me empolguei. Estou numa fase de desapego material e achei que seria só mais uma coisa para carregar pelo resto da vida e acho mais legal a informação como lembrança. Na teoria, o que escrevo aqui estará para sempre disponível para mim e para o Benjamin caso algum dia ele queira saber como era a nossa vida quando ele nasceu.
A terceira é servir como fonte de rápido acesso para amigos e familiares que tenham interesse em saber o que está rolando com a gente em terras distantes. Aqui escrevo para mim e para todos os que queiram ler. mando emails para algumas pessoas também, mas aqui pode-se ler o grosso do que está acontecendo sem eu ter que ficar repetindo de um a um.
Resumindo: é um livro de recordações onde coloco o que sinto naquele momento. Eu mesma já me peguei discordando do que eu escrevi quando reli alguns posts antigos, mas o ponto fundamental é: não escrevo para ninguém concordar ou discordar, escrevo para registrar. E qual não foi minha surpresa quando pessoas que praticamente nunca se manifestam ou mandam notícias ou ligam ou sequer mantinham ou mantêm laços próximos de amizade comigo, num rompante de patriotismo fajuto, vieram me dar lição de moral sobre o quanto o Brasil é bom e como são felizes vivendo aqui e como eu não devia falar mal e mais um monte de bobajadas por conta do que eu escrevi no MEU blog sobre o que EU estou vivendo nesse momento ao retornar ao país. Então eu digo: "não gosto de tomate" e a pessoa vem dizer: "vc está errada, eu gosto de tomate, é uma delícia!" E o que tenho a dizer é: não te perguntei nada. Abro meu Facebook todos os dias e só o que vejo é o povo no Brasil reclamando do trânsito, e do calor, e da internet que não funciona, e do celular que não dá sinal e da falta d'água, mas eu, que já vivi tudo isso mas hoje moro fora desse inferno não posso dizer o quanto as coisas estão ruins. Faz favor, né!
Acho ótimo que as pessoas sejam felizes vivendo como e onde vivem. Tem gente que vive feliz em todo lugar, até na Síria ou no Afeganistão ou aqui no Brasil. Ótimo para vc. Eu vivi feliz no Brasil por muito tempo e depois muita coisa ficou ruim e eu resolvi que era hora de procurar outros ares. Viajei por muitos anos conhecendo outros lugares porque sabia que encontraria um onde eu me sentiria mais em casa, e achei! Bom para mim. Vc é feliz onde está? Bom para vc. Crie um blog e fale sobre isso.
Achei legal que pessoas se manifestaram falando de outros lugares do Brasil onde os problemas que estão me incomodando não existem. O problema é que Brasil, para mim, desde o momento em que fui morar no Canadá, se resume em Rio/Niterói/Floripa, cidades onde mantenho vínculo com amigos e parentes, por onde a passagem é obrigatória. Turismo por outros lugares já fiz muito, mas acho difícil fazer uma viagem tão longa para ainda ir a outros lugares ao invés de ficar perto das pessoas que sinto tanta saudade.
Comecei a escrever para acalmar e estou é ficando nervosa ao lembrar dessas coisas, acho melhor é ir dormir!
As idéias começaram a ficar embaralhadas e vejo aqui pelo monitor que o Benjamin já começa a ficar agitado e deve acordar logo para mais uma mamada. Vou dormir com as roupas e as armas de Jorge para que a insônia não me alcance por mais uma noite.
Bjo, bjo.
Gra
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ReplyDeleteAplausos para o post! Tb levei lição de moral no meu FB. hahaha. Ah, faz favor, né! Bjs Constance
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