Boa noite gente! Final de semana chegando e a esperança de que com ele a Dona Primavera chegue de vez! Não que a gente possa reclamar de nada em comparação com a costa leste... Mas, ema, ema, ema, cada um com seus problemas e eu quero dias secos e lindos de primavera!
Hoje estou aqui para falar só de maternidade, não sei nem se consigo lembrar de todos os tópicos que rondam minha cabeça nas últimas semanas. Já pensei tanto no que escrever que parece que já escrevi :) e como uso o exercício de escrever para organizar as idéias, depois de organizadas elas vão para seus devidos lugares e saem da gaveta do que ainda tem que ser escrito e... caraça, tá ficando complicada a explicação, vamos direto ao que interessa:
Primeiro eu tenho que falar sobre uma coisa que aconteceu na semana passada que me deixou arrasada. Tenho acompanhado tudo o que posso sobre o assunto e é tão triste o que encontro... comentário de gente ignorante e desinformada que usa a internet para ofender nem é o pior cenário. Formadores de opinião e jornalistas relatando inverdades e julgando é o que mais impressiona. Estou falando sobre a mulher que foi obrigada a passar por uma cesárea na cidade de Torres/RS. É tanta violência num único ato que eu deveria dedicar alguns
posts para falar só sobre isso. Não farei porque, de uma maneira que não sei explicar, essa história me ofende demais e quanto mais penso sobre isso e sobre o que vejo as pessoas falarem, mais ofendida me sinto.
Vamos aos fatos: essa mulher, pessoa esclarecida, que estudou e se aprofundou no assunto para tomar a decisão e optar por um parto normal na sua terceira gestação, depois de duas cesáreas, preparou-se física, psicológica e emocionalmente de uma maneira que só quem entende a importância do parto normal compreende, aproximando-se do momento tão esperado, é obrigada a deixar sua casa, em meio às dores do início do trabalho de parto, sendo escoltada por policiais, na frente dos filhos menores, vendo o marido a defendendo a unhas e dentes e, em função disso, sendo quase algemado, e é levada ao hospital onde é obrigada a passar por uma cirurgia de risco e ter seu bebê extraído de si. A médica, com preguiça de acompanhar o que pode ser um longo processo do trabalho normal, esconde-se atrás da desculpa esfarrapada de que queria proteger a criança e a imbecilidade da coletividade compra a versão da história e passam a julgar a mãe por sua "irresponsabilidade".
Tudo isso me remete ao meu parto, à extração do meu bebê, também contra minha vontade, mas essa sim baseada em fatos concretos de perigo de vida para mim e para ele e que mesmo assim me dói tanto ainda hoje. Do pouco que li sobre essa mãe, acredito que todo o amor que ela sente por essa menininha linda que nasceu vai ser sempre a pedra fundamental da relação dela com a filha e esse início tão trágico da vida dessa bebê reverteu-se em força e energia para que essa mãe passe a lutar pelo direito de todas as outras mães em ter seus partos normais. Grávida não é embalagem de bebê! Reflitam ao menos por um minuto antes de reproduzir frases superficiais ouvidas de fontes desinformadas. Cesárea não deve ser primeira opção em mulheres saudáveis! Gente, ter filho vai muito além de montar um enxoval bonito!
Saindo um pouco desse assunto pesado, vamos ao segundo tópico do
post, ainda no mesmo tema.
Junto com o bebê que acabou de nascer surge, como num passe de mágica a idéia de que essa mãe precisa de conselhos. Putaqueopariu. Esse assunto é mais do que batido, mas parece que quem se dispõe a oferecer tão preciosos presentes não lembra de quão desagradável foi recebê-los ou então pensa que é a hora de se vingar por tudo o que teve que ouvir...
Mas se não bastasse todo o desconforto e desagrado que a mãe tem que sentir ouvindo algo que ela não perguntou, ainda se fala muita bobagem, muita coisa errada, coisa feita para confundir, coisa feita para prejudicar. Caraca, cala a boca!!
Junto com o bebê nasce a mãe e é claro que só posso falar sobre mim, mas apostaria todas as minhas fichas como é o mais comum: a mãe está cheia de vontade de conhecer aquela pessoinha, conhecer o cheiro, os traços, os gemidos e todos os detalhes, em resumo, a mãe quer estar com o bebê! E qual o primeiro palpite que aparece? "Não vai acostumar esse bebê no colo!" Seguido de: "Não vai acostumá-lo dormindo no peito!" E o que eu ouço nessas frases é: "Não vá acostumá-lo a ser amado a sentir-se seguro!"
Por que as pessoas se incomodam tanto com uma relação tão bonita? Por que querem sempre interferir NEGATIVAMENTE? Por que acham que o certo é deixar o bebê chorando e a mãe com o coração apertado, de longe, ouvindo e sofrendo?
Gente, não estou aqui para julgar nenhuma mãe, acho que cada uma vem com um modelo de maternagem que desenvolveu a seu modo. Se uma mãe se sente incomodada em fazer o bebê dormir no colo, que o ponha na cama, até porque, para a relação dos dois fluir, os dois têm que estar satisfeitos e o bebê nunca estará feliz ao lado de uma mãe angustiada. O que estou aqui para defender é que amor de mãe não estraga bebê nenhum!! Se seu filho já passou dos 30 e ainda não encontrou o rumo na vida, não foi por excesso de amor, com certeza vc errou feio em outro quesito (não faltam quesitos para as mães errarem) e ele pode apenas ser um vagal por vocação, mas tenho certeza que não foi excesso de amor.
Essa semana uma amiga muito amada me pergunta de maneira angustiada se é tão ruim assim o fato de dar de mamar para a bebê dormir antes de colocá-la na cama. Eu demorei a entender a pergunta porque, afinal, o que pode ser ruim nisso? E ela me conta tudo o que tem ouvido sobre isso, sobre como a menina vai sofrer quando ela voltar a trabalhar e blá, blá, blá... Então já que vai sofrer um dia que comece a sofrer agora? Com um mês de vida? Pois vamos dar um empurrãozinho: já que um dia vai sair de casa, alugue já um outro apto e instale ela lá, caceta!
E a amamentação? Ah, a amamentação!! Amados leitores, o papo vai ser direto e reto, e a pergunta é: prá que diabos vocês acham que servem os seios? Dica: também são conhecidos como "mamas". MA-MAS. E prá que serve a mama se não for para dar de mamar, caçarola? E de onde surgiu a regra de que a criança tem que parar de mamar quando completa um ano? Um detalhe de pouca importância é o fato de um pessoalzinho conhecido pela alcunha de ORGANIZAÇÃO MUNDIAL DA SAÚDE recomendar até dois anos, afirmando que só há benefícios para a saúde do bebê manter a amamentação. Mas aí alguém diz que é "esquisito", outro diz que é "feio", e assim contribui-se para a cultura do fim da picada.
Eu fico imaginando se eu precisasse de ajuda para fazer as coisas que faço para o Benjamin. Se eu tivesse que acordar umas pessoas toda vez que ele me acorda. Se algumas pessoas tivessem que fazer plantão aqui em casa para revezamento de colo ou se alguém mais tivesse que produzir o leite que ele toma, porque aí sim eu estaria fudida, tendo que ouvir toda essa porcariada com razão, me sentindo devedora.
Mães amigas, a dica é uma só: informem-se. Informem-se e escolham o que melhor se adaptar na vida de vcs. Eu voto e votarei sempre pelo parto normal com aleitamento materno prolongado enquanto o bebê e a mãe se sentirem felizes com isso. Voto por dar todo o colo, amor, peito, carinho que tiver vontade e disponibilidade para dar sempre que puder e quiser. Voto por passar o maior tempo possível acompanhando o desenvolvimento da criança, bem de pertinho, abrindo mão do que for possível abrir porque isso é curtição, mesmo tendo quem não entenda. Eu não entendo como alguém pode escolher ser proctologista, mas respeito a escolha de cada um e acho que o resumo é esse: ninguém é obrigado a gostar, mas todos deveriam respeitar. Sempre.
Grande beijo e tenham um excelente final de semana.
Gra