Saturday, 22 February 2014

Bidding Wars

Oi gente!

Sábado de muita neve por aqui, em pleno Fevereiro! Onde está o aquecimento global quando mais precisamos dele? Possivelmente no Hell de Janeiro, onde hoje fazia 42 graus... Pensando bem, fique por aí aquecimento global.

Nevou o dia inteirinho e bateu uma preguiça daquelas... se não fosse um detalhe de quase 11 kilos chamado Benjamin, teria sido um dia perfeito para comer e dormir. Sendo assim, foi um ótimo dia para comer e cansar. Gente, ele estava de doer hoje... deve ser o dente, ou é o nariz entupido, ou é a influeência da lua na menopausa da borboleta, acho que não importa muito, o fato foi que ele chorou e gemeu o dia inteiro. Acho que esse é o tal padecer no paraíso.

Hoje estou equi para falar de um outro grupo do qual estou fazendo parte no Facebook que acho muito legal. Chama-se Bidding Wars. É um grupo onde vc pode vender qualquer coisa, qualquer coisa meeeeesmo. O mote principal é se desfazer de coisas que estão ocupando lugar em casa e vc não precisa mais, ou enjoou, ou ganhou de presente e nunca gostou, enfim... mas se vc é artesão e quer vender seus produtos também dá. O objetivo não é fazer dinheiro, mas tentar amenizar o prejuízo da compra e, principalmente, fazer a mercadoria rodar e ser usada por outras pessoas. Claro que o que mais tem são produtos infantis (êba!) e roupas femininas. Vc anuncia o que quer vender, dá um preço inicial e uma data/horário quando acaba o leilão e quem estiver interessado vai dando lances. Se vc quiser, pode definir um valor final, então se alguém estiver realmente interessado e achar que vale a pena, oferece de cara o valor final e compra.

Comprei algumas coisas, principalmente para o Benjamin, e devo dizer que o processo de pegar a mercadoria é a parte mais interessante. Marca-se um lugar e horário para o encontro, vc vai lá com o dinheiro e pega o que comprou e paga e pronto. Coincidência ou não, sempre fui buscar a mercadoria na casa da vendedora e em 90% dos casos era em horário que as vendedoras não estariam em casa, ou simplesmente não queriam ter que encontrar comigo, então elas deixam a mercadoria na rua, normalmente na entrada da casa (lembrando que as casas aqui não tem muros ou cercas), aí vc vai lá, pega a sacola que for para vc (normalmente tem mais de uma coisa que foi vendida e mais alguém está indo buscar) e deixa o dinheiro ou embaixo do tapete ou na caixinha do correio, ou passa por debaixo da porta, enfim...

Esse grupo funciona só para quem mora aqui na minha região (Tri-cities), até porque não faria sentido comprar um brinquedo de 2 dólares e dirigir 40km para pegá-lo...

Já fiz umas boas compras. Outro dia fui fazer pão de queijo e meu liqüidificador quebrou, entrei no grupo e tinha um a venda por $5 :) Comprei um cadeirão para o Ben por $20 e uma bolsa para levar fralda, etc., por $5. Muita coisa é nova, mesmo, tipo com etiqueta, outras usadas mas em boa condição e outras que vc não entende porque alguém compraria :)

Achei toda a idéia muito boa e comentei com minha cunhada quando estive no Brasil e ela disse: "Aqui não funcionaria porque as pessoas sempre vão querer a vantagem financeira mais do que a transação com a idéia do reuso". Acho que tem seu fundo de verdade, meu sobrinho, por exemplo, quer vender o Wii dele, mas quer o preço de um novo porque "está como novo"... enfim, como dizia minha vó: "Cada roda com seu fuso, cada terra com seu uso". Mas se alguém animar para montar um grupo desses, fale comigo que mando uma cópia das regras que são bem detalhadas, diga-se, pois um detalhe: nunca vi nenhum homem no grupo, e um monte de mulher junto fazendo compra só pode dar confusão né? E elas fazem confusão meeeesmo.

Outro dia eu comprei uma cadeira diferente que tem na Ikea para o quarto do Benjamin. Nova ela custa $89 plus tax, a dona ofereceu com preço inicial de $10. Muita gente deu lances e minutos antes do leilão terminar eu ofereci $26 (os lances, normalmente, vão de dólar em dólar). Acabou o leilão e duas mulheres continuaram dando lances, como se ainda valesse... enfim, uma mediadora teve que entrar na conversa e dar pito... sempre vai rolar umas coisas assim.

Amanhã vai ser mais um dia de tentar arrumar coisas... ou tentar arrumar coisas, tudo depende do chefe Benjamin e seu bom humor.

Boa noite para todos e tenham um ótimo domingo!

Gra

Thursday, 20 February 2014

Coisas que li por aí

Boa noite, gente!

Acabei de chegar da aula e estou meio elétrica depois de tanta confusão no Skytrain. Está tendo alguma obra (novidade!) e à partir das 8 da noite muda todo o esquema para sair do centro de Vancouver e é um rolo só, principalmente porque os trens lotam demais, um saco! Imaginem vcs que a primeira vez que me vi no meio do rolo foi na terça passada, eu estava muuuuuito mal da gripe, devia estar com muita febre, muito mal mesmo. Saio da aula depois de uma prova de arrombar e chego na estação no meio daquilo tudo. Eu só ficava pensando que eu bem podia desmaiar, aí seria carregada até em casa... Cheguei em casa nem eu sei como, o Pedro disse que eu estava doidona, falando coisas desconexas (!!) até que peguei no sono. Hoje não estou tão mal, apenas com muita tosse. Aí pensei que preciso de férias e fiquei no trem imaginando como seria bom uma semana em um lugar agradável, com alguém para me servir comida e que olhasse o Benjamin em alguns momentos para eu tirar sonecas reparadoras da minha beleza :) e foi aí que lembrei de uma história boa e resolvi descarregar minha adrenalina no computador antes de dormir :)

Um pouco antes de irmos para o Brasil, um brasileiro que mora por aqui criou no Facebook (sempre ele!) um grupo chamado "Brasileiros em BC" e eu fui convidada a participar. Pareceu interessante me conectar com brasileiros que vivem por aqui e trocar dicas e experiências. Bem, o nome do grupo parece bem direto e específico: Brasileiros em BC, entendi eu que para participar o brasileiro deveria estar morando por aqui, mas aí, por algum motivo que não entendo, o dono do grupo resolveu que o grupo tinha que ser grande, ter o maior número de integrantes possível e aí qualquer pessoa que tenha qualquer interesse mínimo em vir para cá e quiser participar pode. Pois bem, achei muita bagunça, mas na verdade essa situação cria histórias ótimas e outras péssimas.

É inacreditável ver a falta de educação e respeito que vc encontra de maneira absolutamente gratuita nesse grupo. Brasileiros xingando brasileiros pelos motivos mais estapafúrdios. Quando alguém questionou o fato de ter muita gente que nem por aqui estava e que achava que não deveria ser esse o perfil do grupo, coitada... O que mais rolou foi chamar a mulher de egoísta, só porque mora aqui se acha melhor que os outros, pobres brasileiros que cultivam o sonho de vir para cá, mesquinha, não quer passar informações valiosas para os que pretendem um dia vir morar por aqui... Gente! Por favor! Esse não é o objetivo do grupo! Tem outros grupos para se fazer essas perguntas! Eu estava prestes a me desligar do grupo quando uma amiga falou: "Mas Gra, dá prá se divertir horrores com o que postam lá!" E eu comecei a ler as postagens e aqui vão duas pérolas:

Uma menina postou que está querendo vir para cá, é apaixonada por Vancouver (adoram dizer que são apaixonados), mas, detalhe, não tem visto para vir estudar ou trabalhar... Claro que essas pessoas também não tem tempo para passar pelo processo de migração que a maior parte de quem está aqui passou, então querem uma solução prá ontem. E ela pergunta: alguém sabe de uma vaga de emprego que eu possa aplicar para pedir o visto de emprego? Bazinga!! Como é que ninguém pensou nisso antes!! A menina é um gênio! Tão mais fácil e rápido assim! Por que será que todos os outros imigrantes deixam para procurar emprego quando chegam aqui? Com certeza o Canadá precisa de gente marota assim! Venha logo!

Outra mulher postou uma dúvida: como faço para arrumar uma empregada em Vancouver? Ela contou que está se mudando para cá em breve e, pasmem, ela tem dois filhos! Sem chance dela conseguir cuidar de duas crianças e da casa, então precisa contratar por antecipação uma Rita das boas para estar esperando por ela aqui quando ela chegar com a família. A pobre da Fabi tentou explicar prá ela que não é bem assim que a banda toca por aqui, que primeiro ela tem que saber se quer uma babá, ou uma cozinheira, ou uma faxineira ou... por aqui ninguém faz o de-tudo-um-pouco que encontramos no Brasil, mas aí uma outra brasileira que vive aqui disse que é super fácil achar e já passou prá ela vários sites onde ela poderia pesquisar os currículos... e no meio de tudo isso entra uma outra brasileira na conversa para descascar o pau sobre as patroas brasileiras que pensam que contratam escravas que têm que fazer de tudo, como faziam no Brasil hahahahahahahaha A minha conclusão é de que ninguém ali assistiu The Real Housewives of Vancouver, onde as ricaças no alto de seus saltões, cheias de apliques e maquiagens, cozinhavam para os filhos, levavam para a escola, cuidavam da casa... enfim... Sair do Brasil é fácil, o difícil é tirar o Brasil de dentro de si. Eu, como estou pensando em arrumar um trabalho de meio período, pensei até em me candidatar, pelo jeito é gente com bala na agulha!

Gente fora da casinha é o que mais encontramos por aqui. O povo vem sem nenhuma estrutura, ouviu falar que o primo do colega do vizinho veio e arrumou um empregaaaaaaaaço, ganhando em dólar (!!), mega fácil... nem inglês tinha!! E o que a gente mais vê é o povo se esfolando em empregos que pagam o suficiente para o aluguel, vendendo o almoço para comprar a janta, mas essa realidade ninguém quer contar e quando a gente conta, acham que queremos jogar água fria na fervura por pura maldade, como disseram vários grosseirões para a menina do grupo: por puro egoísmo, só para não vir mais brasileiros para cá...    

Meu balde de chá já se foi e já sinto o peso das pálpebras... parece até que ouvi a cama chamando :)

Tenham todos um bom descanso. Eu terei! Pensamento positivo!

Grande beijo.

Gra

Wednesday, 12 February 2014

Seis meses e algo mais

Oi gente!

Quanto tempo! Pois é, a vida não tá fácil prá ninguém, nem prá mim, que escolho sempre dormir entre fazer qualquer coisa com meu tempo livre. Tá pesado...

O Pedro foi viajar na segunda de madrugada, que era feriado, Dia da Família por aqui, mas a Imperial deu uma banana bem grande para a família de todo mundo e mandou o povo para Huston. Nossa família não teve o que comemorar e desde então estou mãe sem nenhum intervalo e cansadaça. Além da demanda normal, o pequeno está passando por salto de desenvolvimento e morrendo de saudade do pai e do cachorro, que teve que ser despachado para o canil pois eu não daria conta de cuidar de mais um. Para terem uma idéia, hoje fui visitar a Fabi Tudodebom e acabei dormindo por uma hora por lá enquanto ela olhava o Ben pois eu estava totalmente sem condição para qualquer outra coisa...

Ontem passei pela situação mais estressante do mundo desde o nascimento do Ben. Estou fazendo um curso na UBC, no centro de Vancouver, nas terças e quintas à noite. Eu estive esperando por um ano para o curso acontecer e começou na semana passada, e aí o Pedro vai viajar essa semana... e o Ben? Semana passada já foi uma agonia deixá-lo em casa com o pai por 5 horas enquanto eu ia na aula, mas deu tudo certo, claro, mas essa semana nem pai tinha para ficar com ele. Por sorte fui apresentada a uma brasileira chamada Hercília que chegou aqui há uns 2 meses e tem o maior jeito com crianças. Marquei com ela lá na UBC, assim ela ficaria cuidando dele enquanto eu assistia a aula e estando lá mesmo, se algo acontecesse eu estaria do ladinho para socorrer. A idéia pareceu ótima e realmente funcionou bem, o problema foi chegar lá. Chovia que deus dava e o centro de Vancouver está um verdadeiro canteiro de obras... eu não tinha me dado conta antes porque estava indo para a aula de Skytrain, mas com o bebê mais a chuva achei que a melhor opção seria ir de carro e estacionar no sub-solo da universidade... Ledo engano... o Ben acordou assim que cheguei no centro de Vancouver com o trânsito totalmente parado e berrou, mas de se esgoelar mesmo, pelos 20 minutos que levamos para andar 800 metros até eu desistir e parar o carro na rua mesmo e sair com ele no carrinho embaixo de muita água, à noite, feito uma louca, para chegar na faculdade, que fica no sub-solo, e eu não encontrava elevador para descer, rodando pela praça feito uma panaca, com ele aos berros... pesadelo. Até que  encontrei dois caras fumando maconha e fui perguntar como poderia chegar lá embaixo com o carrinho e eles me apontaram uma das escadarias que tem uma rampa camuflada entre os degraus. O pobrezinho do Ben quase nem conseguia respirar quando chegamos lá embaixo... Levou uma meia hora para ele acalmar, e quando começou a aula e aceitou numa boa ficar com a Hercília e tirando a novela de voltar para o carro, ainda embaixo de muita água no final da aula... Ele ficou tão agitado com a história toda que praticamente não dormiu à noite, e nem eu, é claro. E o pior é que amanhã tem mais... ainda não decidi o que vou fazer...

Benjamin está ótimo. Senta sozinho e "engatinha" por tudo. Ela mais "nada no seco" como diz minha mãe do que engatinha, mas é fato que não pára nunca, apenas quando a exaustão chega e ele apaga por uns 20 minutos para se recuperar. Sim, apenas 20 minutos, não dando tempo nem para eu tirá-lo do meu colo e me jogar num canto para tentar um cochilo... dureza... Em resumo, ele está adorável, cada dia mais fofo e com alguma novidade.

Tem tanta coisa que eu queria escrever mas estou tão cansada que vou ficar por aqui e espero voltar em breve para não esquecer de nada.

Grande beijo a todos e tenham um ótimo resto de semana :)

Gra