Oi gente, bom dia!
Aviso aos navegantes: esse post vai ser longo... tão longo quanto o Benjamin permitir :)
Hoje completamos 40 dias do nascimento do pimpolho. Acabou a temporada de visitas dos avós e agora é hora de construirmos os novos eixos no qual apoiaremos nossa nova rotina. E que rotina!
As 3 primeiras semanas foram muuuuuuito fáceis. Eu ficava pensando: "Mas de que trabalho e cansaço o povo reclama tanto?" Ele mamava em intervalos de até 4 horas e eu dormia bem, gente, a parte do sem dormir é a pior, sem dúvida! Fico sem comer, sem ir ao banheiro, sem tomar banho, mas sem dormir é de matar! Aí a partir da 4a semana o garotão resolveu que era hora de mandar bala nas mamadas e entrou no que aqui chamam de cluster feeding, que num bom português seria: mamar sem parar, sugando absolutamente toda a energia da mãe e a deixando insana. Essa fase deveria acabar agora pela sexta semana, mas não tenho muita fé nessa possibilidade. O fato é que o moleque não está para brincadeira e engordou 1 kg no primeiro mês, além de espichar 9cm! É um tourinho!
Aprendeu a sorrir na semana passada e adora ficar jogando charminho :) A midwife falou que é um estímulo que vem do instinto de preservação que ele carrega, tipo: "Sei que estou dando um trabalho da porra, mas sou um cara legal e charmozinho, continue com seu trabalho, vc está indo bem." E funciona! De madrugada, quando ouço que ele está acordando, às vezes tenho vontade de chorar... mas aí chego no berço para pegá-lo e ele abre o sorriso... covardia!
Algumas noites são melhores que outras e ainda mantenho a fé de que depois do terceiro mês tudo melhora, ao menos é que dizem as mães com mais experiência e todos os livros e sites sobre o assunto.
Bem, depois de todo esse tempo, acho que é hora de contar a experiência do meu parto. Agora tá tudo mais digerido e acho que ao escrever o que aconteceu vou conseguir encerrar esse capítulo de uma vez por todas.
O Benjamin nasceu dia 31 de julho, uma quarta-feira. Na segunda-feira anterior comecei a sentir cólica forte e contrações e achei que tinha chegado o momento. Passei a manhã inteira caminhando no quarteirão para ajudar no trabalho de parto, mas à partir da hora do almoço as dores foram diminuindo até sumirem de vez. Frustrante. Na terça de manhã eu já tinha uma consulta com a midwife e fui lá ver o que estava acontecendo. Pela primeira vez ela fez um exame ginecológico e tentou toca o cérvix para entender o cenário. Digo tentou porque o cérvix ainda estava super alto, o que acendeu uma luz amarela para ela, pois eu já estava de 41 semanas, havia sentido dores e mesmo assim o quadro não havia evoluído nadinha.
Deixa eu abrir um parênteses aqui para explicar uma outra situação. Nosso plano era não só o parto natural, mas um parto natural em casa, onde eu até já tinha uma banheira inflável montada na minha sala só aguardando a hora certa para receber água quente e eu poder relaxar e trabalhar na chegada do menino.
Voltando à midwife: ela não gostou do que viu e sugeriu que eu fosse ao hospital fazer um monitoramento do bebê e um ultrassom para saber se estava tudo bem com a placenta e o líquido amniótico. Ela falou que ligariam do hospital para agendar. No caminho prá casa ela me liga para dizer que eu poderia induzir o parto a partir de sexta-feira e que já deixaria o hospital de sobre-aviso já que, com indução o parto teria que ocorrer no hospital.
Depois do almoço fomos ao hospital fazer os exames. O monitoramento mostrou que ele estava muito bem, faltava só o ultrassom para podermos ir embora, e aí a coisa começa a degringolar... o exame mostrou que o nível do líquido amniótico estava muito baixo e a partir daí eu já não poderia sair do hospital. Um obstetra foi chamado e pela primeira vez o fator cesárea apareceu e eu deixei bem claro que não concordava com o procedimento, para o desespero da minha mãe que a estas horas quase catou a faca do almoço e abriu minha barriga de uma vez! A midwife quis começar a indução imediatamente para dar mais uma chance ao agora, parto vaginal, e eu e o bebê seríamos monitorados o tempo todo. Eu estava em choque e arrasada! Como assim? Sou uma mulher saudável e fiz tudo o que foi recomendado para me preparar para o parto normal! Como assim não está funcionando?
A primeira tentativa de indução não deu nenhum efeito e na manhã seguinte outra dose de hormônio foi aplicada. A tarde comecei a sentir contrações que rapidamente se aproximaram do padrão 4-1-1 (uma contração que dure um minuto em intervalos de 4 minutos). Eu fiquei por uns 40 minutos caminhando nos corredores do hospital para ajudar na evolução. Quando me cansei, fui para o quarto me sentar um pouco e foi quando comecei a sentir uma contração muuuuito forte que durou 10 minutos... com cinco minutos da contração o Pedro chamou a enfermeira que me levou direto para a sala de monitoramento e quando os aparelhos foram ligados em mim as caras das enfermeiras indicavam que algo não ia nada bem. Foi um tal de aparecer cada vez mais enfermeiras e um corre-corre levando e trazendo relatórios e documentos.
Minha midwife estava por lá e pediu que chamassem o obstetra. Ele chegou, me examinou em proferiu a sentença: "Cesárea de emergência!" E olhou para mim e disse: "Sem negociação". Nunca me senti tão triste na minha vida. Foi a sensação de fracasso mais assoladora que jamais imaginei que poderia sentir um dia. Mas tudo aquilo ali não era sobre mim, mas sobre o Benjamin e ele precisava que eu aceitasse aquela situação.
Em menos de meia hora Benjamin estava nascendo, grande, forte e saudável. Foi o dia mais triste e mais feliz da minha vida. Ainda na sala do parto o médico veio me explicar que a cirurgia tinha salvado a vida do Benjee. A situação interna estava muito pior do que o monitoramento teria demonstrado. Ele estava estressado e teria feito cocô no líquido amniótico e começava a ingerí-lo, o que poderia causar uma infecção muito perigosa para o bebê.
O tão esperado momento da apresentação mãe e filho com o período pele com pele não aconteceu. Benjamin não saiu no prejuízo, pois fez o pelo com pele com o papai Pedro que não largou do menino até que ele pudesse vir para meu colo na sala de recuperação e depois no quarto.
Como já contei, Benjamin nasceu bem grande e a medida que mais chamou a atenção foi a do diâmetro da cabeça (herança paterna, diga-se) de 38cm, sendo que o "normal" seria de 33 a 37. No momento que o médico me deu alta, dois dias depois, ele ainda fez uma brincadeirinha: "Acho que a senhora deve estar aliviada de não ter precisado empurrar uma cabeça desse tamanho!" :) E devo dizer que sim :)
Bem, a sensação pós cesárea, para mim, pode se traduzir em um cenário: é como ser atropelada por um caminhão e algumas horas depois estar apta para cuidar/servir o motorista que te atropelou. Com um corte de quase 15cm aberto abaixo da barriga, vc tem que estar alerta e disposta a amamentar o bebê, isso tudo com uma sonda e com todo cuidado nos movimentos para não forçar os pontos. Um horror. E para piorar, praticamente desaparece a chance de uma possibilidade de parto natural numa segunda gestação, principalmente com meu histórico de não desenvolver o trabalho de parto. Aposto que a Adri, quando ler isso vai dizer: "Segunda getação?" Com um risinho no canto da boca. Sim, Adri, segunda :) O parto em si foi bastante traumático para mim, mas ter o Benjamin conosco tem sido algo maravilhoso, principalmente quando ainda não estou totalmente exausta :)
Devo esclarecer que parei umas três vezes para socorrer o menino enquanto escrevia o post. Nesse momento ele dorme aqui do lado ao som de ondas do mar depois de entrar numa batalha braçal comigo para evitar a soneca. Gente, ele adora que eu cante pra ele, fica hipnotizado me olhando e solta uns grunhidos que para mim soam como sinais de satisfação, mas para derrubar o bichinho de vez nada melhor do que o chiado no ouvidinho, é tiro e queda!
Hora do almoço e eu vou aproveitar para comer antes que ele acorde.
Uma amostra da fofurice:
Grande beijo a todos.
Gra

Gra, tem chance de ter parto normal depois de cesárea sim. Você deve saber disso, né? A Alice foi normal, a Laura foi cesárea. Eles só recomendam que tenha o mínimo de 2 anos entre os partos para poder ser normal, aí já está tudo cicatrizado normalmente e não há tanto risco de ruptura. Mas, deixa isso pra depois, curta o Ben agora que o parto já passou. Sei bem como é essa frustração de não ser como a gente sonha, como a gente planejou por tanto tempo, mas o que importa é que ele está aí, saudável. Pelo que você disse, foi realmente necessária a cirurgia. Não se sinta fracassada, ok? Beijo!
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