Boa noite!
Por aqui é quase meia noite e essa é a novidade da vez: não durmo mais. A insônia está dominando... hoje nem tirei nenhum cochilo durante o dia para evitar a danada, mas não adiantou. Ansiedade, calor, barriga gigante que não fica quieta... tudo junto misturado resulta numa boa de uma insônia.
Tenho percebido, durante o dia, que minha cabeça não anda funcionando normalmente e ficar sem dormir não ajuda. Penso em várias coisas que gostaria de escrever aqui no blog, mas as idéias não se moldam na cabeça, fica tudo muito superficial... um saco... aí, quando sento para escrever, cadê o assunto?
Mas hoje tenho um assunto bom :) li um texto num outro blog que gostei e passei a tarde juntando peças desse quebra-cabeça.
Bem, tem uma página no Facebook (gente, uma perguntinha: por que tanta gente tem birra quando alguém chama o Facebook de Face? Eu confesso que tenho muita preguiça de escrever a palavra toda, mas para não dar vazão ao ódio alheio acabo escrevendo a coisa toda) que chama The Skeptical Mother que eu tenho acompanhado nas últimas semanas. Eu ainda não cheguei muito à conclusão do que eu penso sobre tudo o que publicam, mas posso dizer que tem muita coisa de doido por lá. Acho que a autora segue uma linha meio xiita de maternidade, mas com afeto e com carinho dá prá garimpar alguma coisa de lá. O que acho mais interessante é tomar conhecimento do aspecto cultural da maternidade por aqui. Eu fico achando quase tudo muito estranho, mas ao mesmo tempo não sou a maior conhecedora de como isso funcionaria no Brasil, então só acho estranho, sem ao menos estar comparando com uma outra realidade, mas tenho um sentimento que as coisas são mais relaxadas na terra dos brazucas.
O texto que li hoje veio de um blog indicado por essa página e falava de uma coisa que se fala muito por aqui: a competição entre as mães. Competição de quê? De qualquer coisa! As mães entram numa coisa doida de estarem sendo avaliadas a todo momento e por isso pensam que têm que sempre estar dando 100% de seja lá o que for preciso para demonstrar como seus filhos são os melhores, ou melhor, como elas são as melhores em produzir os melhores filhos! E é claro que isso causa uma cobrança desumana sobre as coitadas, e era sobre isso que falava o texto.
A autora, hoje, sentindo superar esse momento de desespero, conta como se sentia, como sentia que era julgada o tempo todo pelos outros, mas na verdade ela era mesma que se julgava. Nesse processo, ela assumia que, assim como ela fazia tudo para mostrar para os outros o quanto era boa, os outros também só faziam o que faziam para provar como ela era inferior. A conclusão do texto, graças ao bom senso, é que o povo, no geral, tá cagando para o que vc faz e só vc está preocupada com o que eles pensam sobre vc, ninguém nem te notou, ou seja, é muito egocentrismo por metro quadrado, or per squared feet, se vc preferir.
Num outro texto que li há um tempo, chegavam a comentar que, em grupos de socialização de mães, essas chegavam a contar as maravilhosas habilidades desenvolvidas por seus filhos em função de uma atividade X que estavam participando (normalmente cursos extracurriculares caríssimos), mas desconversavam na hora de dizer qual era o curso ou onde era, para que outras mães não tenham acesso à receita do sucesso. Sou só eu ou isso soa doido prá caceta?
Uma outra coisa que sempre me chamou muita atenção por aqui e, claro, agora chama ainda mais, é o lance de amamentar no peito. Primeiro que ninguém faz e ponto. Todo mundo vai direto prá fórmula. Dar o peito é coisa de hippie. As brasileiras que conheço por aqui, de um modo geral, preferem dar o peito, mas pro povo daqui, isso é muito raro. Possivelmente até em função disso, amamentar em público é algo muuuuuuuuuito mal visto. Isso eu tenho certeza que é diferente no Brasil. Claro que vc vai acabar procurando um lugar mais reservado e tal para fazê-lo, mas não vai precisar se esconder dentro do banheiro! E aí, um dos must have no enxoval é uma espécie de capa com uma estrutura plástica que vc pendura no pescoço para cobrir peito e bebê na hora de amamentar (A Fabi me emprestou a dela e um dia que eu lembrar de usar eu tiro uma foto para mostrar para vcs), só jogar uma fraldinha por cima não pode...
Mas aí eu volto ao The Skeptical Mother, onde a autora sempre publica fotos de partos e de books de maternidade/paternidade e tals, sendo muitas dessas fotos de amamentação, e, acreditem se quiser, existe gente que acompanha a página (não preciso explicar que é voluntário o ato de curtir a página para receber as atualizações, né?) para protestar contra as fotos, chamando-as de pornográficas! E não passa um dia sem que ela poste algo protestando contra os protestos e explicando o quanto acha bonito e importante a amamentação no peito e que é algo natural e que... enfim... dando murro em ponta de faca... e o povo continua seguindo as publicações e enviando os comentários mais escabrosos sobre as fotos.
Bem, se alguém aguentou ficar sem olhar a página no Face (face, face, face) até agora, sugiro que esse seja um bom momento, com certeza não vai precisar navegar muito para ver do que estou falando.
Quanto ao menino Benjamin, continua tudo igual. Na verdade não está nada igual, mas, como vcs devem ter percebido, ele não nasceu ainda e essa falta de motivação dele está acabando comigo... já passei dias comendo a mesma coisa no almoço e janta para ver se ele enjoava da comida e resolvia sair para novas aventuras, mas não funcionou. A barriga continua bem alta e as maiores apostas vão na opção "ultrapassando 40 semanas".
Semana passada, na terça à noite, comecei a sentir cólica. O Pedro ficou todo felizão, consultou seu manual do trabalho de parto e verificou que eram sintomas de pré parto, que, como tudo na gestação, são normais e que poderiam durar de 2 horas a 4 semanas. Fomos dormir cedo para aguardar o grande momento descansados. Na quarta, pela manhã, fui ao mercado e comecei a sentir dor nas costas. Como a midwife viria em casa me consultar, ficamos apenas esperando ela aparecer. Quando ela chegou contei a novidade prá ela e posso dizer, sem medo de não traduzir o sentimento em palavras, mas ela CAGOU para minhas dores, não deu a mínima meeeeeeeeeeesmo, nem tipo para dar uma animada. Suas exatas palavras: "Isso deve durar semanas". O desânimo foi tão grande que as dores pararam imediatamente.
Eu não tinha contado esse episódio para ninguém, mas então aproveito para passar o recado geral: é claro que não vamos falar para ninguém quando a coisa toda começar, e ninguém significa ninguém mesmo. Todos terão notícias quando o menino já estiver ambientado no meu colo e tranqüilo. Mãe é uma coisa de louco né? Estou prestes a me tornar uma e talvez em algum momento da minha vida eu passe a entendê-las, mas a D. Ju e a D. Bárbara sempre falam sobre serem avisadas quando a coisa toda começar e, é claro, sempre dizemos que vamos avisar, mas é claro que não vamos. Prá que, gente? Isso serve para minha irmã também e para quem mais já tiver falado isso, ok? Ficou claro?
O sono ainda não deu as caras, o jeito vai ser ler mais um pouco de um livro muito chato que estou tentando terminar e que às vezes funciona como sonífero.
Beijo grande a todos e tenham uma ótima semana!
Graciana
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